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Douglas Ferreira, nosso co-founder and Heaf of Global Business Development, conta sobre a internacionalização da Fohat

Mas afinal de contas, o que significa internacionalizar? Ao contrário do que muitos pensam, internacionalizar não significa, necessariamente, criar uma sede em outro país. Então, compartilho aqui o processo de internacionalização que iniciamos em 2018.

Internacionalizar é um termo relacionado a muitos outros fatores, como a exportação de produtos e/ou serviços, a conquista de parceiros estratégicos, clientes estrangeiros ou até mesmo o networking com centros de pesquisas, parceiros, fornecedores, universidades e comunidades externas. Na prática, esses fatores precisam estar muito bem alinhados com o momento que sua empresa está vivendo.

Então é importante ressaltar que antes de iniciar a globalização do seu negócio, precisa-se fazer uma análise do grau em que sua empresa se encontra. E, se, for decidido seguir em frente com a internacionalização, deve-se realizar um estudo completo do mercado onde aspiram imergir e um planejamento de como alcançar seu objetivo. Dito isso, vamos à nossa experiência…

Quando falamos das 3Ds Energia — Descarbonização, Digitalização e Descentralização — estamos falando de uma grande mudança que já está em curso no mundo e tem sido mais visível em alguns países. Um desses lugares que mapeamos em nossos estudos de mercado no final de 2017, era a Austrália.

Como isso funciona na Austrália?

De forma sucinta, contextualizo como a transição energética está ocorrendo nesse país (onde moro porque vim conduzir o processo de internacionalização em Dezembro de 2018), ou seja, como o 3D Energia já é uma realidade em solo australiano.

No estado de Victoria (sudeste da Austrália), 95% dos consumidores já têm um ‘medidor inteligente’ de energia, ou seja, a leitura do seu consumo de energia pode ser vista quase que em tempo real e de forma muito mais dinâmica, em outras palavras: uma exemplo aplicado de Digitalização dos 3Ds Energia . No estado de South Australia (sul australiano), 1 a cada 4 casas já tem painel solar gerando sua própria energia, ou seja: exemplo aplicado da Descentralização dos 3Ds Energia, pois a energia que antes era gerada somente por grandes usinas, longe dos centros de consumo, agora é gerada em pequenas quantidades (porém por mais “usinas”) no teto de sua casa.

Essas analogias pra explicar 3Ds Energia podem ser estendidas para outros recursos distribuídos, como veículos elétricos, por exemplo. Eles já fazem, e irão cada vez mais fazer, parte do nosso cotidiano. Mostro mais adiante um case australiano.

Mercado 100% livre: outro grande motivador para nossa decisão

Sim, o que pesou em nossa decisão também foi o fato do mercado australiano ser complemente livre (ou desregulado), onde todos os consumidores têm a liberdade de escolher de quem compram energia e todos os vendedores podem oferecer suas ofertas e negociar seus contratos de energia com quem mais lhe interessa — algo bem parecido com o que temos no setor de telecomunicações no Brasil. Aliás, no Brasil o mercado 100% livre ou desregulado é uma mudança já em curso graças a PLS 232/2016 (projeto de lei do Senado Federal), que prevê abertura em uma trajetória gradual até 2028.

Baseados em nosso estudo de mercado, então, percebemos que a nossa visão de inovação sobre o setor de Energia teria mais chances de alcançar sucesso em países como a Austrália. Sobretudo, a aplicação de energy intelligence que é nosso corebusiness. E nesse contexto, a demanda por soluções tecnológicas era mais emergente da mesma forma. E, com isso, entendemos que teríamos maior abertura para testes em projetos-piloto (projetos que testam novas soluções). Essa foi a sequência de raciocínio que tivemos.

Tá, até aqui tudo perfeito, fizemos bem nosso dever de casa. Mas como poderíamos garantir que o nosso processo de adaptação a um novo mercado seria relativamente rápido e eficaz para conseguirmos trabalhar e fazer a diferença?

A resposta que concluímos como sendo nosso melhor caminho para começar nosso segundo ano de vida: uma aceleradora global. Uma aceleradora é uma empresa que tem como principal objetivo, facilitar a imersão de uma empresa em um determinado mercado.

Eis que, em 2018, a Fohat foi convidada pelo braço australiano da aceleradora britânica com atuação global, Startupbootcamp, a apresentarmos nosso projeto em uma reunião online — @startupbootcamp é um organização que mantém um programa global, com foco em diferentes indústrias, para suportar fundadores e empreendedores (que têm inovação tecnológica em seu corebusiness) a escalarem suas soluções rapidamente através de uma rede direta de contatos de um determinado setor. Em nosso caso, o programa nos conectaria com o setor de Energia da Austrália.

Ficamos eufóricos com o convite e, claro, com a oportunidade que se abria. Nos preparamos e fizemos a apresentação online de nosso projeto. Alguns dias depois recebemos o resultado: fomos escolhidos e convidados a participar da seleção final, ou seja, a Fohat estava no grupo de 20 selecionadas pela Startupbootcamp (e parceiros do setor elétrico) num universo de mais de 750 empresas de todo o mundo disputando as 11 únicas vagas disponíveis.

E lá fomos eu e Igor Ferreira, nosso CEO de Curitiba, rumo a Melbourne, na Austrália para defender pessoalmente nosso projeto. Nossa missão, na prática, era defender o projeto em dois dias de apresentação: passamos por mais de 20 mesas avaliadoras, onde apresentávamos um pitch (discurso de apresentação do projeto) de 10 minutos em cada uma. Foram dias intensos, muito intensos. Mas ao final deles, veio o tão esperado resultado que você pode conferir no vídeo abaixo.

Sim! Fomos selecionados entre as TOP11 para ter o projeto acelerado na Austrália! A Fohat foi o único representante aprovado da América Latina em um programa global da Startbootcamp, ao lado de participantes da China, Canadá, Estados Unidos, Israel, Itália, Austrália e Cazaquistão.

Organização das atividades para abrir o HQ na Austrália

Era Dezembro de 2018. Voltamos ao Brasil para celebrar com toda a equipe e passar as datas festivas com a família. E 30 dias depois do resultado, eu embarcava para Melbourne para montar a Fohat em terras australianas!

E começamos pelo processo de aceleração promovido pela Startboocamp. Ele durou três meses e incluiu diversas atividades (como treinamento de pitch, seminários, engajamento com players da indústria, sessões de mentoria, etc). Ao final desse período, veio o DemoDay, o grande evento onde as empresas em aceleração, apresentavam os resultados do programa para um grupo de investidores, parceiros e especialistas dos mais diversos setores.

No nosso caso, nós conseguimos nos conectar com a Prefeitura de Melbourne em um estudo de viabilidade de uma microrede de energia para Queen Victoria Market, o maior mercado aberto do Hemisfério Sul, que ocupa 70.000 m2 e por onde passam 4 milhões de pessoas ao ano. Nesse vídeo e em nosso website, você pode conhecer mais sobre esse projeto.

Desde então incorporamos a Fohat na Austrália, para engajarmos com os stakeholders locais e aprendermos mais sobre os desafios do setor elétrico em um mercado muito dinâmico e desafiador. Os aprendizados que temos por aqui, na terra dos fofos cangurus, nos ajudam a desenhar nossas soluções para que tenhamos tecnologia nacional de ponta para enfrentarmos os desafios que se mostram eminentes no mercado brasileiro e global.

Muito já se discute por aqui em como coordenar o fluxo bi-direcional de energia criado pela adoção em massa dos chamados DERs (Distributed Energy Resources), ou recursos de energia distribuídos, como painéis solares e baterias. Há diversas discussões no âmbito regulatório em como se estruturar a figura de um agente Agregador de cargas que suporte a operação do sistema no nível distribuído.

Já estamos com o segundo Headquarter na Austrália

Desde novembro de 2019 estamos estruturando a operação do nosso segundo headquarter na Austrália. Nesse, nosso foco está em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e fica no estado de South Australia, dentro do complexo de Inovação Tonsley Innovation District. Esse complexo conta com parcerias das mais diversas instituições, incluído a Universidade de Flinders, o TAFE SA (Instituto de Treinamento Técnico numa tradução livre) e centenas de startups e empresas renomadas do setor privado como a Tesla e a Siemens.

Trabalhar em parceria com o Instituto de Inovação Tonsley nos dá acesso a um ambiente que respira inovação e foi construído para fomentar testes de novas tecnologias, como, por exemplo, testes de veículos autônomos que percorrem o pátio e os arredores do instituto.

Esse processo no mostra o quanto a internacionalização tem sido importante para facilitar a conexão com o ecossistema de inovação e stakeholders locais desse mercado mais avançado no setor de Energia. Temos vivido e visto em detalhes, a realidade e os desafios do sistema australiano e temos a oportunidade de entender até onde podemos avançar com a nossa solução de energy intelligence para o segmento de mercado que gera energia. Nessa solução, aliás, se baseia na ideia de criação de ¨smart grids¨ estruturadas através de um agregador para alcançar eficiência de gestão da rede elétrica, entre outros benefícios — que falarei em outro artigo, em breve. 

Essa experiência aqui na Austrália nos ajuda a ampliar — e muito — a compreensão sobre alguns cenários e desafios e nos permite abrir discussões de acordos de parcerias com a Prefeitura de Melbourne e o Instituto de Inovação Tonsley, disponíveis dentro do programa de aceleração da Startbootcamp ou de nossa jornada nesse processo de internacionalização em curso.

Os projetos na Austrália têm sido algo realmente inovador pra gente, inclusive. Tanto que, recentemente, Victor Ribeiro, gerente regulatório na Thymos Energia e mestrando em engenharia elétrica pela PUC-MG, nos coloca em destaque por isso. Em seu artigo quinzenal no Broadcast Energia (da Agência Estado), publicado em 26.6.2020 (você pode ler aqui) ele nos coloca como uma referência em inovação em questões relacionadas às possibilidades de aplicação de blockchain mais imediata no Brasil, em projetos de resposta de demanda. Mas esse tema falamos em outro artigo.

Artigo publicado originalmente em 05 de agosto de 2020 no Linkedin do nosso Co-founder and Head of Global Business Development Douglas Ferreira.

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