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Douglas Ferreira, nosso Co-founder and Heaf of Global Business Development nos conta na prática o que é Open Innovation – Inovação Aberta

Hoje o tema da vez é Open Innovation porque sempre nos questionam sobre isso por muitos parceiros e interfaces de mercado. Open Innovation em uma tradução literal significa Inovação Aberta. Mas e na prática, o que é isso?

O termo originalmente se refere a um ¨paradigma que assume que as empresas podem e devem externalizar ideias quando elas têm objetivo de avançar, escalar suas tecnologias e inovação em geral¨. Definições mais modernas dizem que Open Innovation é “o processo de inovação baseado em fluxos de gerenciamento de conhecimento além das fronteiras organizacionais”. De forma mais direta e no bom português informal, eu vejo que é uma forma de empresas se abrirem à inovação olhando para o ambiente ao seu redor e não apenas para dentro de sim mesmas. Afinal, muitas das grandes inovações dos últimos 20 a 30 anos surgiram da mente de fundadores em startups, por exemplo, em vez de departamentos de pesquisa e desenvolvimento internos.

Existem diversos modelos de Open Innovation, e eu poderia usar esse espaço só pra explanar sobre isso. Mas, aqui vou compartilhar uma das nossas experiências nesse contexto: àquela que nós, na Fohat, tivemos bem recentemente com a Acciona, multinacional de origem espanhola que atua na América Latina e é considerada pelo mercado como líder global em energia renovável.

Em dezembro de 2019, ela deu início a um programa de Open Innovation que começava numa competição de ideias a fim dela mapear quais empresas, startups , empreendedores poderiam oferecer soluções tecnológicas alinhadas à sua estratégia de inovação. Dentre os desafios propostos pela Acciona um nos chamou bastante a atenção: como fazer o controle de consumo de energia para estabilização de uma rede elétrica.

A partir disso, analisamos esse desafio e, uma vez identificado que uma solução de inovação nossa atendia a esse desafio, bingo! Fomos avante e a submetemos ao programa. Resultado: fomos escolhidos e convidados a participar do I’MNOVATION, ou seja, a Fohat estava no grupo de 20 selecionadas pela Acciona num universo de 160 empresas e startups de todo o mundo, que haviam enviado seus projetos.

A notícia de termos sido top 20 foi rápida. Alguns dias após inscrevermos nossa solução de inovação, a gente recebe um telefonema num sábado de manhã, nos perguntando se o representante da Fohat poderia estar no Chile na terça-feira seguinte já. Pronto, a missão foi dada a mim.

Minha missão na prática? Embarcar da Austrália para o Chile, superar o cansaço de uma longa viagem para o outro lado do mundo e defender (com muitaaaaaaaaa energia) nosso projeto em uma apresentação de 10 minutos. Como dizemos na Fohat: “missão dada é missão cumprida!”. Lá fui eu, que estava em nosso headquarter de Melbourne — hoje estou no nosso segundo headquarter em terras australianas, localizado em Adelaide — para apresentar o projeto para especialistas da líder global de energia renovável do planeta, a Acciona. Nem acreditamos direito, pra falar bem a verdade sobre o misto de surpresa e satisfação que tomaram conta do time todo.

Ao chegar em Santiago encontro os finalistas que tinham vindo de diversas partes do mundo. Havia empreendedores do Chile, Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Austrália, Uruguai, Espanha, Canadá…todos propondo soluções fantásticas para transformar setores de mineração, cidades inteligentes, energias renováveis, entre outros.

O desafio começa…

A Acciona inicia o dia com uma apresentação institucional. O interlocutor mostra as áreas de atuação da empresa ao redor do mundo e o quanto estava focada em processos e produtos sustentáveis, assim como em potenciais benefícios e resultados que o Programa I’MNOVATION de inovação aberta já vinha trazendo.

A mensagem estava bem clara: eles buscavam empreendedores apaixonados e mentes criativas que pudessem, colaborativamente, transformar os setores propostos.

Terminada a introdução, chegou a hora de defender a nossa tese! Lá fui eu novamente: subi ao palco e mostrei como poderíamos mudar o mundo através da energia. No júri, um painel de experts formado por pessoas da Acciona e outras companhias, como Antofagasta Minerals, Codelco e Cerro Dominador — todas referências em seus segmentos no Chile. Todos os jurados analisavam milimetricamente e perguntavam sobre a nossa proposta, à exaustão. Pudera, dos 20 selecionados eles escolheriam apenas 8 vencedores do desafio.

Após um longo dia de atividades, recebemos a tão esperada notícia: a Fohat havia sido uma das 8 vencedoras!

Celebramos com muita energia também, pois celebrar é essencial para revigorar as energias. Passadas as devidas celebrações, nos dias seguintes, estendemos nossa estadia no Chile para participar de sessões de ¨bootcamp¨ , nas quais aprendemos novas metodologias e projetos e pudemos alinhar expectativas de como seriam os próximos três meses de aceleração do projeto-piloto de open innovation com a Acciona.

Voltei para Austrália e iniciamos os trabalhos com nossa equipe de inovação baseada em Curitiba, no Paraná (Brasil). A partir dessa fase, começamos a ter jornadas de atividades onde pudemos realizar uma série de atividades e estudos para comprovar as nossas premissas sobre como fazer o controle de consumo de energia para estabilização de uma rede elétrica, tendo o Chile como local de referência para essa aplicação, mas ampliando o modelo de negócios para outros mercados. Ao longo dessa etapa, tivemos acompanhamento direto de um time de mentores, experts e profissionais de diversas áreas de negócio da Acciona.

Esse processo nos mostrou o quanto esse programa de open innovation foi importante para facilitar a conexão de ideias inovadoras com problemas reais do mercado. Vimos com riqueza de detalhes a realidade do sistema chileno e pudemos entender até onde poderíamos avançar com a nossa solução de energy intelligence que se baseia na ideia de criação de ¨smart grids¨ estruturadas através de um agregador para alcançar eficiência de gestão da rede elétrica, entre outros benefícios. Ou seja, nos ajuda a ampliar — e muito — a compreensão sobre alguns cenários e desafios e nos permitiu abrir discussões de acordos de parcerias, investimento e marketing com a Acciona, disponíveis para o programa.

Esse projeto de open innovation no Chile tem sido algo realmente inovador pra gente, inclusive. Tanto que, recentemente, Victor Ribeiro, gerente regulatório na Thymos Energia e mestrando em engenharia elétrica pela PUC-MG, nos coloca em destaque por isso. Em seu artigo quinzenal no Broadcast Energia (da Agência Estado), publicado em 26.6.2020 ( você pode ler aqui) ele nos coloca como uma referência em inovação em questões relacionadas às possibilidades de aplicação de blockchain mais imediata no Brasil, em projetos de resposta de demanda. Mas esse tema falamos em outro artigo.

Este artigo foi publicado originalmente em 15 de julho de 2020 no Linkedin por Douglas Ferreira.

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